"The Machinist", de Brad Anderson (2004)

Um daqueles thrillers contados aos bocadinhos a deixar adivinhar um puzzle que apetece compor, fruto de uma fotografia excelente, banda sonora exemplar a conduzir a nossa atenção e um ambiente incrivelmente intenso - acho que só faltou mesmo um final mais soco-no-estômago do que acaba por ser.

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posted by Ricardo Fortunato @ 5:16 da tarde, ,




Foto de .j. em Vila do Conde / "Bookends" , Stacey Kent

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posted by .j. @ 8:33 da tarde, ,


O meu avô morreu há dois anos. Nunca fomos muito chegados o que significa que houve um período em que me senti culpado. Por não ter feito parte da vida dele de outra forma.
Era agricultor. Tinha vacas, galinhas, uma horta e eu tenho memórias das vindimas, da poda.
Ele não era exactamente uma pessoa afável e de forma alguma encaixava na imagem do avôzinho simpático.
Houve uma altura em que ele vinha ao Porto com frequência, era eu um adolescente pintado de borbulhas, e ele envergonhava-me a mim e à minha t-shirt dos Sonic Youth em plena rua porque começava a falar com toda a gente... em rimas (como se já não bastasse a acne para afastar miúdas).
Ele era um trovador. Ele conseguia improvisar rimas o dia inteiro se lhe apetecesse. Ele não assentava nada em papel e uma vez perguntei-lhe porque é que ele não escrevia os poemas todos que inventava num dia. "Os poemas são como moscas, se os deixas voar muito começam a chatear" respondeu-me.
Já depois de ter falecido descobri que afinal ele já tinha publicado - encontrei uma espécie de sebenta com vários autores publicada pela Câmara da Póvoa de Lanhoso nos anos 40.
Entretanto também acabou por ficar para mim a pequena colecção de vinis que eu nem imaginava que ele possuía - entre algumas pérolas estavam dois discos de um Django Reinhardt completamente inaudíveis, por isso toca a buscar a internet e eis que, uma versão lindíssima da "Beyond the Sea":


Django Reinhardt, "Beyond the sea"


foto: ric
quem me dera poder agora passear com o meu avô a disparar poemas pelas ruas

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posted by Ricardo Fortunato @ 12:16 da manhã, ,



"Napoleon Dynamite", de Jared Hess (2004)

A inexpressividade dos nerds, a caracterização exemplar de várias épocas nunca se prendendo a referências limitativas, o punhado de momentos-choque que todos os geeks sonharam viver no seu tempo -- não havia como não gostar deste.
Se bem que andam por aí uns sujos que insistem que gosto porque danço como ele. É falso!
Acho.

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posted by Ricardo Fortunato @ 10:35 da tarde, ,



"Ghostbusters", de Ivan Reitman (1984)

"Who you gonna call? Ghostbusters!"

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posted by Ricardo Fortunato @ 11:05 da tarde, ,



"mesa de luz"

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posted by Ricardo Fortunato @ 7:13 da tarde, ,


Eu lembro-me bem do episódio, Ric*


[Desenho de ricfortune]


[Fotografia de fotografias de .j.]

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posted by .j. @ 12:29 da manhã, ,




Ela tenta sonhar com a vida no útero, mas não consegue. Talvez por isso, todos os anos, no dia 19 de Junho, ela pergunta «então como é que foi?», ao que o pai responde um sorriso tímido e a mãe lá repete a lenga-lenga, mais ou menos assim «Deves ter sido fabricada daquela vez que fomos visitar o Palácio Nacional de Sintra. Nove meses depois, nasceste por volta da meia-noite e oito minutos, de rabo virado para a lua...»

A conversa continua, desde as primeiras dores de parto aos primeiros anos de vida, entrada na escola, aparecimento de irmãos, atropelamento, asneiras, primeiros amores, primeiras saídas à noite, enfim....

24 anos depois eles continuam certos que são a casa, ponto de partida e de chegada, sem contudo perceberem muito bem o que é isso de ter uma filha mais velha, que vive perto do coração mas longe da vista, traçando o destino em direcção aos seus próprios filhos.

Perante isto, eu sou apenas a filha possível. Longe de satisfazer os sonhos deles, mas nem por isso deixando de provocar gargalhadas com certas parvoíces (por exemplo, essa fotografia oferecida num certo Natal...). E abraços.

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posted by .j. @ 11:30 da tarde, ,



"Touch of Evil", de Orson Welles (1958)
são 3 incríveis minutos sem cortes - nem imagino o número de vezes que devem ter repetido e só de pensar na planificação de uma coisa destas fico com dores de cabeça

O "Citizen Kane" é o melhor filme dele? A sério?

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posted by Ricardo Fortunato @ 10:56 da tarde, ,



Electrelane: para mim as gajas mais rock que por aí andam, e que recuperaram o farfisa como instrumento cool. Editaram há umas semanas o "No Shouts, No Calls" e foram agora confirmadas em Paredes de Coura.


Electrelane, "To the east"

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posted by Ricardo Fortunato @ 8:31 da tarde, ,



"workplace"

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posted by Ricardo Fortunato @ 10:17 da manhã, ,




Aviso desde já que os meus próximos 200 posts serão sobre os Peanuts. Isto é, sobre o Charlie Brown. Isto é, sobre o azar, o amor, o azar no amor ou o amor no azar, a amizade, a melancolia, mais azar, o pior, o melhor, os cães, o cão, os adultos que existem mas ninguém os vê, as crianças que não são adultos mas não são crianças, os passeios no passeio, as casas miniatura, as mentiras, as verdades, os truques, os traques, as piadas e as piadas sem piada mas com muita piada, enfim, a vida, a banda desenhada.

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posted by .j. @ 12:24 da tarde, ,



Eternal Sunshine of the Spotless Mind, de Michel Gondry (2004)

Provavelmente demasiado indie para figurar nas listas dos melhores da história do cinema, mas acredito que este é o filme que consegue a proeza de melhor definir esse bicho chamado amor. Não se limita a contar uma história, define, mesmo. E garanto que o mais batido dos clichés aqui faz todo o sentido sem ser pedante ou vulgar, parvo ou embaraçoso.
A plasticidade - inúmeros truques visuais, quase nunca efeitos digitais - e o argumento, a mim convenceram-me que andava a passear nas memórias de alguém.
o Michel Gondry e o Charlie Kaufman deviam ser acorrentados e obrigados a fazer filmes juntos durante para aí uns dez anos



e ainda tem uma banda sonora daquelas

Jon Brion
, "Eternal Sunshine of the Spotless Mind
"

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posted by Ricardo Fortunato @ 4:11 da tarde, ,



Desabafo: hoje o Platão armou-se em Ícaro e saiu do aquário. Tal acrobacia deve ter resultado numa valente queda. Mais tarde, depois de procurar entre todas as rochas -e de ter pensado efectivamente que alguém tinha assaltado a minha casa para roubar apenas uma tartaruga, fui encontrá-lo (seco e de corpo recolhido na carapaça) entre velhos jornais. Estava vivo e, quem sabe, com vontade de conhecer outras divisões da casa, ou aprender a ler.
Conclusões:
1 -nunca pensei que uma tartaruga fosse, em simultâneo, tão esperta e tão estúpida.
2 -não estou preparada para ser mãe.


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posted by .j. @ 12:49 da manhã, ,



"Em La Colónia, edifício de veraneio a onze quilómetros de Granada, adaptado a cárcere, Federico García Lorca passou a sua última noite. Pediu um padre para se confessar, mas não havia nenhum disponível. Quis lembrar-se das palavras do Credo, mas só chegou ao meio da oração. «A minha mãe ensinou-mo inteiro, mas já me esqueci... Serei condenado por isso?», perguntou ao guarda que o assistiu.
Na manhã seguinte, ele e mais três prisioneiros foram fuzilados; não no Barranco de Viznar, como se afirmou durante muitos anos, mas perto da Fuente Grande.(...)
O último manuscrito autógrafo de Lorca é uma amarga ironia. Durante as suas horas de detenção na sede do Governo Civil tinham-no convencido de que o libertariam se contribuísse com uma quantia para a Esquadra Negra. Chegou por mão própria um bilhete à Huerta de San Vicente: Peço-te, papá, que entregues a este senhor mil pesetas como donativo para as forças armadas. E Don Federico anuiu, oferecendo essa quantia (muito elevada, na altura) àqueles que lhe assassinavam o filho."

Aníbal Fernandes, na introdução de "Anjo e Duende",
Federico García Lorca, Assírio & Alvim, Abril 2007

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posted by .j. @ 8:36 da tarde, ,